segunda-feira, 13 de junho de 2011

FUNDAÇÃO IMEPEN

POR: CAMILA REZENDE MACHADO E EDILAINE DA SILVA BARBOSA


A fundação IMEPEN (Instituto Mineiro de Estudos e Pesquisas em Nefrologia) foi criada a partir do NIEPEN (Núcleo Interdisciplinar de estudos e pesquisas em nefrologia) para que pudesse apoiar o Hospital Universitário – HU – na prestação de serviços de terapias substitutivas e também nos atendimentos ambulatórias ligados à nefrologia, às doenças que acometem os rins e às patologias do trato urinário. É uma instituição que pertence, faz parte da UFJF, mas que, contudo, enfrenta grandes resistências desta por ser uma fundação autônoma financeira e administrativamente e de direito privado. Compõe-se de equipe multiprofissional (médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, farmacêutico, educador físico e assistentes sociais), a qual realiza um trabalho interdisciplinar buscando atendimento integral às demandas de saúde (relacionadas aos rins), tanto de Juiz de Fora quanto da região referenciada na cidade, seja por convênios ou pelo SUS – Sistema Único de Saúde.
Junto à fundação funciona o centro de atenção secundária em hipertensão arterial e diabetes mellitus do governo do estado, o centro HIPERDIA, justamente por estas duas comorbidades estarem relacionadas ao desenvolvimento da doença renal crônica (DRC).
O Serviço Social se insere na instituição em 2001 a partir da demanda por esse profissional para atuar na prevenção e promoção da saúde, prestar esclarecimentos, orientações e garantir o acesso a direitos, e, consequentemente mais qualidade de vida. Seu atendimento é individual e realizado através da anamnese social, a partir da qual pode-se conhecer a realidade social do paciente e identificar suas demandas e direitos; também são dadas informações sobre o Serviço Social, a doença, o tratamento, as terapias renais substitutivas, direitos constitucionais, isenção de impostos, etc., além de encaminhamentos (transporte, INSS por exemplo).
O IMEPEN conta hoje com duas assistentes sociais, as quais atendem a todos os ambulatórios e que trabalham 30 horas por semana e também com duas estagiárias de Serviço Social, as quais estão na instituição apenas 2 dias por semana sempre a tarde; no início do estágio, em fevereiro de 2011 começamos apenas observando a atuação da assistente social supervisora na realização das anamneses, o que logo se tornou nossa atividade diária. É através da anamnese que identificamos as demandas dos pacientes, suas condições de vida, sua aderência ao tratamento, para então orientá-los quanto a seus direitos, a rede de serviços a sua disposição, realizar os encaminhamentos cabíveis, enfim, realizar os procedimentos de acordo com a necessidade de cada paciente.
A fundação IMEPEN, o NIEPEN e o centro HIPERDIA funcionam no bairro São Pedro, Rua José Lourenço Kelmer, 1300, no Centro Comercial de São Pedro.

O ESTÁGIO
Quanto à experiência pessoal neste campo de estágio é possível classificá-la como enriquecedora para a atuação profissional e totalmente novo para a fundamentação teórica do Serviço Social, já que ainda não existe nenhum material publicado na área por esta profissão. Apesar deste impasse, o HIPERDIA é o primeiro ambulatório de atenção secundária de Juiz de Fora que passou a contar com os profissionais de Serviço Social, uma vez que a inserção do assistente social na nefrologia é muito recente e obrigatória a partir da RDC (Resolução da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária) n° 154 de 2004 que estabeleceu o regulamento técnico para o funcionamento dos serviços de diálise, a qual coloca a obrigatoriedade de diversos profissionais nos centros de diálise, inclusive o assistente social.
Sob o olhar da instituição, é possível perceber o desenvolvimento de ações que reconhecem os usuários como um ser humano constituinte de questões biológicas, culturais, sociais, nutricionais, antropológicas, políticas, entre outras, visando um atendimento integral a partir de um trabalho interdisciplinar para, assim, identificar questões da relação saúde-doença e promover a qualidade de vida, estando orientada pela missão: “apoiar atividades didático científicas, a qualificação de recursos humanos, garantindo uma assistência interdisciplinar à comunidade no campo das patologias do trato urinário”.
Em relação à atuação profissional pode-se observar a busca da consolidação dos objetivos e princípios da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social) e do código de ética profissional quanto à universalização dos direitos sociais, respeito a dignidade do cidadão, direito a serviços e benefícios de qualidade, igualdade no acesso ao atendimento, divulgação de benefícios, serviços, programas e projetos de assistência, contribuir para a criação de mecanismos que desburocratizem a relação com os usuários, tendo como objetivo principal propiciar a qualidade de vida. Percebe-se também a existência de um bom relacionamento entre as assistentes sociais e os pacientes que possibilita uma liberdade de colocarem suas demandas e reivindicações. E, por fim, há um amplo canal de participação e de comunicação com as outras profissões existentes, inclusive com a chefia, se tornando uma relação horizontal de livre acesso.
O público atendido pelo Serviço Social se distingue muito, há pacientes de uma classe social mais elevada como também pacientes em vulnerabilidade social, podendo ser atendidos por convênios, pelo SUS ou por consultas particulares. Diante desse universo distinto, esse é nosso principal entrave para a realização de nossas atividades, uma vez que o número de demandas para o Serviço Social é superior e consome muito tempo, não dependendo seus atendimentos somente da demanda institucional, mas também da demanda espontânea, ou seja, daqueles pacientes que solicitam ser atendidos pelo Serviço Social, mesmo que no dia não sejam nossa prioridade.

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